Mestre Dogen

Poemas de Mestre Dogen
Introdução ao Poemas de Mestre Dogen

Por Mestre Ryokan Taigu

(ver: Budismo Zen)


Numa tarde sombria de primavera cerca de meia noite,
A chuva misturada à neve salpicava os bambus no jardim.
Queria acalmar minha solidão, mas era impossível.
Minha mão alcançou atrás de mim pelo Registro de Eihei Dogen.
Debaixo da janela aberto de minha mesa,
Ofereci incenso, acendi uma lâmpada, e calmamente li.
Corpo e mente caíram é simplesmente a verdade que aconteceu.

Em mil posturas, dez mil aparições,
Um dragão brinca com a jóia.
Sua compreensão além de padrões condicionados limpa as corrupções correntes;
O estilo antigo do velho mestre reflete a imagem da Índia.

Eu me lembro dos velhos dias quando vivia no mosteiro de Entsu
E meu falecido mestre palestrava sobre o Verdadeiro Olho do Dharma.
Naquele momento houve uma ocasião em que pude me voltar,
Então requeiro permissão para lê-lo, e estudá-lo intimamente.
Agudamente sentia que até então havia dependido meramente de minha habilidade.
Depois disto deixei meu mestre e perambulei por toda parte.
Entre Dogen e eu mesmo que relação existe?
Por toda parte eu dedicadamente pratiquei o Verdadeiro Olho do Dharma.
Chegando às profundidades e chegando ao veículo – quantas vezes?
Dentro deste ensinamento, não há nada que esteja faltando,
Assim eu completamente estudei o mestre de todas as coisas.

Agora quando tomo o Registro de Eihei Dogen e o examino,
O tom não harmoniza bem com crenças gerais.
Ninguém perguntou se é uma jóia ou um seixo.
Durante quinhentos anos tem estado coberto de pó
Somente porque ninguém teve o olho para reconhecer o Dharma.
Para quem foi toda esta eloqüência exposta?
Ansiando pelos tempos antigos e lamentando pelo presente, meu coração está exausto.

Uma noite sentando ao lado da lâmpada minhas lágrimas não se deteriam,
E encharcaram os registros do velho Buda Eihei.
De manhã o velho vizinho veio à minha cabana de sapé.
Ele perguntou porque o livro estava úmido.
Eu queria falar mas não o fiz, pois fiquei profundamente embaraçado.
Com minha mente profundamente aflita, era impossível dar uma explicação.
Deixei minha cabeça cair um pouco, então encontrei algumas palavras.
“A chuva de ontem à noite vazou para dentro e encharcou minha prateleira de livros”.

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Publicado por Monge Marcos
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